O motor rugia sob minhas mãos, e o silêncio entre nós era ensurdecedor. Helena estava ao meu lado, rígida, os olhos fixos na estrada, sem me olhar. Eu apertava o volante com força, tentando controlar a raiva e o ciúme que ainda queimavam dentro de mim.
Cada lembrança da pista de dança me corroía. Ver Di Paolo segurando-a, sorrindo para ela, como se tivesse algum direito... aquilo me cegou. Eu não pensei, apenas agi. E agora, no carro, percebia o peso da minha brutalidade.
— O que você pensa que está fazendo? ela perguntou, a voz firme apesar do tremor.
— Levando minha esposa para casa respondi, seco, sem desviar os olhos da estrada.
Ela bufou, cruzando os braços.
— Você não tinha esse direito. Eu só estava dançando.
— Dançando com Di Paolo, como se fosse livre. Como se não fosse minha.
Minha voz saiu mais áspera do que eu queria.
Helena virou o rosto para a janela, e o perfume dela ainda me atingia, me confundindo. Eu queria gritar, queria exigir que ela me olhasse, mas ao mesmo te