Eu havia acabado de chegar da empresa e queria um banho gelado para aliviar a tensão, mas o som da voz de Helena me paralisou no corredor. Havia uma suavidade nela que eu raramente ouvia quando estávamos sozinhos. Fiquei ali, invisível, encostado no batente, escutando-a desvendar para Sofia os mistérios que eu mesmo havia apresentado ao seu corpo.
Ouvir Helena descrever nossa primeira vez me atingiu como um soco. Eu sabia que ela nunca tinha sido tocada quando a tomei; senti sua resistência, o tremor de quem nunca havia sido explorada. Mas ouvi-la admitir que a dor se transformou em entrega, e que o medo deu lugar ao desejo, despertou algo primitivo em mim. Eu a via como uma joia bruta, algo que eu precisava lapidar com mãos firmes para que não se quebrasse. Mas ali, falando com minha irmã, ela não era apenas a esposa conveniente escolhida por meu pai. Ela era uma mulher descobrindo o próprio fogo através das minhas mãos.
— No começo você pensa que não vai suportar, mas aos poucos pe