Em território inimigo

Meu estômago se contraiu.

Eu me senti como as mocinhas dos livros eróticos que eu lia escondida. Livros que estavam abandonados no meu celular, deixado para trás em casa, porque ele não me permitiu levar nada — nem roupas, nem lembranças. Foi então que me dei conta do quanto eu devia parecer ainda mais jovem usando aquele pijama de flanela. Recatado demais… e, ainda assim, despertando o desejo dele.

— Se pensa que serei submissa a você, que farei tudo o que quiser só porque disse aquelas coisas para poupar a vida do meu pai, saiba que não cumprirei nada — declarei, com o coração batendo descompassado.

— Assim como você não cumpriu quando prometeu e mesmo assim o matou.

O sorriso dele desapareceu.

— Não me lembro de ter prometido nada .Quer saber? Seu pai era um lixo. Merecia morrer — respondeu, com frieza.

— E eu já perdi a paciência com essa sua língua afiada. Se não quiser que eu a corte, é melhor passar o Ele suspirou, impaciente, e então tirou um canivete debaixo da manga do paletó, deixando claro que não estava brincando.

O metal reluziu sob a luz baixa da limusine.

Meu sangue gelou.

Engoli em seco e me calei, lembrando do conselho da minha mãe. Por enquanto, seria melhor não desafiá-lo. Não porque eu concordasse. Mas porque eu queria sobreviver para assim que tivesse uma brecha , fugir e ir ao encontro da minha mãe e eu faria de tudo para conseguir .

Eu estava tão mentalmente exausta por causa de todos aqueles acontecimentos que acabei adormecendo instantes depois de ele me mandar ficar quieta, praticamente me ameaçando com aquele canivete.

Acordei sentindo um conforto quente e aconchegante, algo que eu não sentia havia muito tempo. Me aninhei naquele lugar reconfortante por puro instinto, buscando proteção. Mas então senti um perfume marcante e amadeirado. Meu corpo enrijeceu no mesmo instante. Abri os olhos assustada e me dei conta de que estava aconchegada contra o peito forte de Ethan, e que ele me carregava nos braços como se eu não pesasse absolutamente nada.

Por reflexo, empurrei o peito dele com raiva.

— Quer, por favor, me soltar? Eu sei andar com as minhas próprias pernas! — disse irritada, e também mexida demais pela proximidade.

Ele não respondeu. Apenas sorriu, como se a minha irritação não significasse nada, e me depositou sobre uma cama enorme, coberta por lençóis em tons pastéis, extremamente macios.

— Onde estamos? Que lugar é esse? — perguntei, me sentando rapidamente e olhando ao redor. Tudo ali exalava sofisticação, luxo e poder.

— Está em uma das minhas casas, é óbvio — respondeu com tranquilidade.

— Vamos ficar aqui até eu resolver alguns negócios em Palermo. Depois voamos para Los Angeles, onde ficam meus verdadeiros negócios… e onde eu comando uma máfia inteira.

Ele disse aquilo como quem fala sobre o clima.

Retirou o paletó e o jogou displicentemente sobre um sofá no canto do quarto. Em seguida, tirou o coldre com duas pistolas e as depositou sobre uma cômoda , e então logo me lembrei que usou uma delas para matar meu pai.O que era mais estranho era que eu não conseguia sofrer tanto com a morte dele , talvez. porque o pai que eu cresci amando , respeitando e confiando era totalmente diferente do homem que o Ethan matou , aquele era um monstro que teve coragem de oferecer a própria filha para um mafioso que talvez era igual ou pior que o Ethan , acho que no fundo eu nunca conseguirei perdoar meu pai nem mesmo sabendo que estava morto. Quando voltei a realidade, novamente dei de cara com o Ethan

que começou a desabotoar a camisa social.

— Estou me despindo para tomar um banho. Você devia fazer o mesmo — disse com a maior naturalidade do mundo, retirando a camisa.

Quando ouvi a resposta dele que eu nem me lembrava que havia feito eu quase babava diante de tanta perfeição .

O físico daquele homem era absurdo. Mesmo marcado por várias cicatrizes

— algumas pareciam de lâminas, outras lembravam golpes antigos, talvez até chicotadas — nada tirava a perfeição daquele corpo. Peito largo, musculoso, liso, coberto por uma penugem escura que descia até o abdômen reto e definido.

— Se quiser, pode tocar, ovelhinha. Não precisa ficar só olhando — disse ele com um sorriso divertido, percebendo que eu não conseguia desviar os olhos.

— Não seja convencido! Você não é tudo isso que pensa — respondi, desviando o olhar à força.

— Eu estava apenas curiosa com tantas cicatrizes… você é mesmo um mafioso?

— Sou — respondeu, sério agora.

— Não apenas um mafioso. Sou o chefe da máfia em todo o território americano. E essas cicatrizes são lembretes de que nunca devemos baixar a guarda… muito menos confiar nem mesmo em quem deveria nos proteger.

O olhar dele escureceu por um segundo, pesado, perigoso.

— Tem certeza de que não quer tomar um banho? — provocou logo em seguida, mudando de assunto.

— Eu adoraria companhia.

— Quero, sim. Mas não com você — respondi rápido demais.

— Esta casa tem muitos banheiros e muitas suítes. Escolha um deles. Eu te fiz apenas um convite , já disse que não forçarei você a nada.— disse ele, ainda sorrindo.

Levantei-me e saí do quarto, que era obviamente o dele. Antes de cruzar a porta, me virei sem querer. Ele estava apenas de boxer. Envergonhada, cobri os olhos com as mãos, embora, no fundo, tudo o que eu quisesse fosse continuar admirando aquele corpo.

— Vai me dizer que é tão casta assim, que nunca viu um homem seminu antes? — provocou.

— Eu não acredito, ovelhinha. Até porque eu sinto o quanto você fica excitada quando apenas me aproximo. Isso não é comportamento de alguém tão casta assim.

— Pessoalmente, não. Nunca vi um homem seminu , tive uma educação muito rígida , mal podia sair de casa .— respondi, firme.

— E eu nunca disse que sou santa. O fato de eu ser virgem não significa que sou ingênua ou que aprendi sobre certas coisas do mundana.

— É bom saber disso — disse ele, com um sorriso lento e perigoso.

— Se você pudesse imaginar o que eu tenho vontade de fazer com você enquanto se finge de santa desse jeito, sairia correndo daqui e certas coisas mundanas não passam nem perto .

E foi exatamente o que eu fiz.

Saí dali rapidamente e me encostei na parede do enorme corredor, com a respiração acelerada. Fechei os olhos por um instante, tentando me recompor.

Quando os abri novamente, dei de cara com uma mulher aparentando ter cerca de trinta anos, que me observava dos pés à cabeça. O desprezo e a raiva eram evidentes em seus olhos negros , frios como gelo.

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