Ele deixou que eu descarregasse minha raiva por um tempo, apenas se defendendo dos meus golpes com facilidade, com um sorriso torto no rosto, como se a minha dor fosse entretenimento para ele . Até que se cansou.
Com uma única mão, ele me dominou, me puxando contra o próprio corpo. A proximidade foi sufocante. Nossos corpos se encaixaram de um jeito pecaminoso, errado… e assustadoramente perfeito.
— Já chega, ovelhinha. Seja uma boa menina ou, como seu novo senhor, terei que lhe ensinar bons modos aqui e agora, na frente da sua mãe e dos meus soldados — disse ele, com a boca perigosamente próxima da minha.
Eu me senti estranha. Suja. Horrorizada comigo mesma.
Porque meu corpo reagiu.
Eu estava com raiva. Eu o odiava. Ele tinha acabado de matar meu pai. Mas, ainda assim, a proximidade dele me deixou excitada, quando eu deveria sentir apenas nojo.
Parei de me debater. Abaixeis a cabeça, envergonhada de mim mesma.
— Muito bem. Boa menina — disse ele, me soltando.Disse ele que entendeu minha atitude como submissão , ele realmente não me conhecia e ainda bem que não podia ler meus pensamentos se não eu estaria ainda mais envergonhada .
Ele parecia tão abalado e confuso quanto eu. Eu podia sentir. A dureza do seu membro roçou em mim, e foi isso que me assustou e me excitou ao mesmo tempo.
— Agora entre na limusine e espere por mim. Vou cuidar da sua mãe — disse ele, com a respiração alterada, deixando claro que também estava excitado.
Naquele momento, tive medo , na verdade fiquei aterrorizada, temendo que ele também a matasse. Dei um passo à frente para ir atrás dele, mas os soldados formaram uma barreira à minha frente, sem sequer me tocar, impedindo qualquer movimento meu.
Eu só pude ouvir.
— Um dos meus soldados irá levar a senhora para fora do país. Esqueça que tem uma filha, porque ela agora me pertence. Eu serei sua única família. E seu marido estava certo: tenho muitas mortes nas costas. A primeira pessoa que matei foi meu pai, quando ainda era adolescente. Mas nunca matei inocentes, só lixo como ele é seu marido. — disse o mafioso à minha mãe.
— Eu não me importo que tenha acabado com aquele desgraçado. Depois do modo perverso que ele ia usar a nossa filha, ele já estava morto para mim. Mas eu imploro: não me separe dela. Ela é a única família que tenho — disse minha mãe, entre lágrimas.
— Não. E a senhora sabe disso. Tem uma irmã em Madri , na Espanha . Meu soldado a levará até ela. Mas escute bem: se tentar se aproximar de Antonella, quem vai sofrer as consequências será ela — respondeu ele, deixando minha mãe aterrorizada e vencida.
Minha mãe respirou fundo, trêmula, e então fez a pergunta que eu sabia que a estava corroendo por dentro:
— Posso ao menos ficar tranquila sabendo que aquele mafioso russo não chegará nem perto dela?
Ele respondeu sem hesitar, com uma frieza mortal:
— Como eu disse, Antonella agora pertence a mim. E tudo que é meu, ninguém toca sem antes passar por mim. Muitos tentaram. Nenhum deles sobreviveu depois disso.Essa é a certeza que posso lhe dar .
— Tudo bem… eu entendi. Não quero prejudicar minha filha. Tem minha palavra de que jamais vou procurá-la. Mas posso ao menos me despedir dela? Eu imploro.
Ele fez apenas um gesto afirmativo com a cabeça.
— Seja breve.
O soldado liberou o meu caminho por ordem dele e eu corri para os braços da minha mãe. Nos abraçamos forte, chorando como se aquele fosse aquele abraço fosse a última coisa que teríamos para sobreviver aquela injusta e dolorosa separação .
— Se cuida, minha filha. Seja a garota valente e destemida que eu criei. Nunca perca a sua fé. E, acima de tudo, não desafie esse homem… — sussurrou ela, em prantos.
Antes que eu pudesse responder, fui arrancada dos braços dela e jogada no banco da limusine. Ele entrou logo depois, sentando-se em frente a mim.
Quando nossos olhares se cruzaram, frios e cortantes como gelo, eu soube:
minha vida antiga tinha acabado ali.
Dentro da limusine, ele acendeu um charuto. A fumaça logo tomou o espaço fechado e me fez tossir. Era espessa, pesada, e o cheiro forte queimava minha garganta e meus pulmões, como se até o ar ali fosse dele.
— Quer que eu apague? — perguntou, fingindo preocupação com o meu bem-estar, algo que era obviamente falso. Se realmente se importasse, não estaria me forçando a ir com ele, me arrancando da minha mãe que era tudo para mim e a única família que eu tinha já que ele matou o meu pai.
— Sabe o que eu realmente quero? — retruquei, ainda tossindo. — Que mande o motorista me levar ao aeroporto, para eu embarcar com a minha mãe e ir para casa da minha tia com ela . É isso que eu quero, senhor.
Ele sorriu de canto, lento, perigoso.
— Blake. Ethan Blake — corrigiu.
— E ainda bem que, nessa questão, o que prevalece é o que eu quero. E o que eu quero é você comigo, na minha casa e…
— Já sei. Na sua cama, não é? — interrompi, com veneno na voz. — Seu velho pervertido.
Eu só o chamei de velho para irritá-lo. De velho, ele não tinha nada. Era mais velho do que eu, que tinha apenas vinte anos, talvez ele tivesse quarenta, a mesma idade que meu pai tinha ,mas diferente do meu pai que em toda sua vida nunca havia ligado para se cuidar , ele estava em forma ,era o homem mais lindo e atraente que eu já tinha visto. O corpo definido, musculoso na medida certa, sem exageros, tão perfeito que nem o terno elegante e impecavelmente cortado conseguia esconder.
Sem que eu percebesse, estava há horas o analisando… não, o admirando. E isso era condenável. Ele era o assassino do meu pai. O homem que estava me sequestrando, me forçando a ser dele.
— Espero que esteja gostando do que vê, ovelhinha — disse ele, como se lesse meus pensamentos.
— Quanto a frequentar a minha cama, isso eu deixarei ao seu critério, nunca precisei forçar mulher nenhuma , mas se quiser frequenta-lq de boa vontade sera muito bem vinda .
Deu outra baforada no
— Agora quanto a ser velho, admito: acho que sou ,devo ter praticamente o dobro da sua idade. Mas passe apenas algumas horas na minha cama e eu lhe mostrarei do que esse “velho” é capaz. Garanto que, no mínimo, ficará sem sentar direito por semanas. disse ele alagando o
charuto, soltando a fumaça devagar, com um sorriso divertido.
Os olhos azuis desceram pelo meu corpo sem pudor algum. O desejo era evidente . Era quente, intenso, queimando como brasa viva sobre a minha pele.