A sentença de morte

Assim que ele terminou de falar, ouvi o disparo. O corpo caiu pesado no chão, o sangue se espalhando rápido demais para eu conseguir processar. Minha mãe gritou, um som rasgado, quase animal. Eu não gritei. Fiquei muda. Paralisada. No fundo, havia algo vergonhoso ali: alívio. Aquele homem havia falado de mim como se eu fosse um objeto, algo que poderia ser usado, quebrado, descartado. Se o chefe permitisse, eu sabia exatamente o que ele faria comigo.

— O próximo que ousar dizer uma merda dessas vai acabar igual a esse imbecil . — disse ele, com a voz fria, controlada.

Ao ouvir ele dizer isso eu achei que pelo menos ele tinha algum sentimento bom dentro dele, mas assim que ele falou novamente mudei de ideia instante seguinte .

___Sé alguém tiver que provar dos encantos da ovelhinha ,serei eu , ela é preciosa demais para pertencer qualquer outra que não seja eu.-Disse ele sem tirar os olhos dos meus , me fazendo sentir uma arrepio de medo por todo meu corpo ,mas também estava sentindo algo que não soubw decifrar , mas era algo completamente proibido e pecaminoso para aquele momento e por aquele mafioso.

— Tirem a mulher e a garota daqui. Agora que o o show irá começar .Disse ele com um sorriso sinistro.

Assim que terminou de falar em uma atitude desesperada de salvar a vida do meu pai ,

corri até ele e me ajoelhei aos seus pés. Minhas pernas tremiam tanto que mal me sustentavam.

— Eu sei que meu pai errou — comecei, com a voz falhando.

— Errou em roubar a máfia… em roubar o senhor e errou ainda mais em tentar se safar colocando a culpa em um soldado inocente. Ele tirou a vida de um homem que não merecia morrer, e eu nunca vou ser favor disso. Nunca.

Levantei o rosto e encarei aqueles olhos azuis gelados.

— Mas tenho certeza que ele se arrependeu .Eu sou testemunha que o homem que eu conheço que me criou não tem mais nada a ver com aquele criminoso do passado ,que o senhor conhecia .O que ele fez foi imperdoável, eu sei… mas imploro que poupe a vida dele.

As lágrimas escorriam sem que eu conseguisse controlar.

— Ele pagou pelo que fez todos esses anos vivendo como um fantasma, com medo, se escondendo. Hoje não passa de um homem quebrado.

Ele me observava em silêncio, como se estivesse decidindo se eu merecia continuar falando.

__Belo discurso, mas seu pai sempre foi e será um ceiminoso , ovelhinha,ele me roubou ,tirou a vida de um inocente e na minha lei sangue se paga com sangue.respondeu, impassível.

— Se poupar a vida dele eu serei sua, disse a instantes atrás que só você poderia me tocar , me reivindicar como sua e eu aceito ser sua . — as palavras escaparam antes que eu pudesse pensar.

— Sou virgem, nunca se quer beijei alguém . Pode fazer comigo o que quiser. Mas, por favor, eu imploro não o mate.

— Cala a boca, Antonella! — meu pai gritou, desesperado. — Prefiro morrer a saber que minha filha virou a ramera de um mafioso!

Ele avançou e chutou meu pai no abdômen, fazendo-o se contorcer no chão.

— Interessante — murmurou. — Então saber que sua filha é minha é pior que a morte?

Ele se abaixou diante de mim, segurou meu queixo e forçou meu rosto para cima.

— Aceito sua oferta, ovelhinha. A partir de agora, você me pertence.

O toque no meu lábio inferior não foi carícia. Foi posse.

— Você vai viver? — disse ele ao meu pai, sorrindo de forma cruel.

— Eu não posso te garantir isso e nem dar certeza para sua filha que serei capaz de poupar sua vida , mas de uma coisa tenha certeza ,ela sera o que eu quiser que seja para mim e você e o mundo inteiro saberá disso.

— O senhor não pode levá-la. A Antonella pertence a outro, e eu mesmo lhe dei a minha palavra de que vou levá-la até ele — disse meu pai, com a voz firme demais para alguém que estava com a morte rondando.

— O quê? Como assim? O que está dizendo, pai? — perguntei, sentindo o chão desaparecer sob meus pés.

— Isso mesmo o que está dizendo, Luigi — disse minha mãe, tão chocada quanto eu.

— Do que você está falando?

— Isso que ouviram. O maldito russo vem me emprestando dinheiro há anos para alimentar meus vícios no jogo. Confesso: eu não passo as noites fazendo caridade na casa dos fiéis. Eu estive jogando todo esse tempo. Fiquei devendo muito dinheiro a ele. Ele viu a foto da Antonella por acaso na minha carteira e a exigiu como pagamento — confessou meu pai, frio, sem emoção nenhuma, completamente diferente do homem que eu e minha mãe conhecíamos.

Cada palavra dele me cortava como lâmina.

— É bem o estilo de um verme como você usar a própria filha para cobrir as merdas que faz — disse o homem, sem nenhuma surpresa, como se já conhecesse profundamente o verdadeiro Luigi.

— Pai, como pôde fazer algo tão monstruoso? Eu sou sua filha! — minha voz saiu quebrada, embargada pelo choro e pela incredulidade.

— Eu não estava pensando só em mim quando fiz isso — disse ele, tentando se justificar. — Estava pensando em você e na sua mãe. Se eu me negasse a te entregar como pagamento, de qualquer forma ele nos mataria, e você seria dele do mesmo jeito.

Justificando o injustificável.

— Nossa… como você é podre. Eu tenho nojo de você. Agora sou eu que quero que você morra

— disse minha mãe, indignada, tremendo de raiva.

— Chega! — rosnou o mafioso. — Esse dramalhão mexicano já esgotou minha paciência. Tirem a garota e a mulher daqui, agora!

Os soldados obedeceram de imediato. Fomos arrastadas para fora. Mesmo dilacerada pela traição do meu pai, eu não queria que ele morresse. O pânico tomou conta de mim. Tentei me soltar, desviei do soldado e consegui correr até a porta, disposta a implorar mais uma vez pela vida dele.

Mas congelei.

O grito morreu preso na minha garganta quando vi o mafioso descarregar a pistola no corpo do meu pai.

O som dos tiros ecoou dentro de mim para sempre.

Quando ele saiu pela porta, com a expressão neutra, como se não tivesse acabado de executar um homem de forma brutal, eu saí do torpor e do choque. Me joguei em cima dele, socando seu peito, chorando, gritando, xingando em italiano — minha língua nativa — e em inglês, tudo o que eu conseguia lembrar.

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