Pamela
Eu soube que aquele jantar não seria comum no segundo em que o Daniel sentou à mesa e ficou em silêncio tempo demais. Não era timidez. Era peso. Daquele que fica pairando no ar, mesmo quando a casa está cheia, a comida quente e os bebês fazem barulhinhos fofos ao fundo.
O tipo de silêncio que avisa: algo vai acontecer hoje.
Segurei o garfo com mais força do que precisava. Meu coração estava acelerado. Não por medo. Por expectativa. Por aquela sensação estranha de estar pisando num terreno novo, sem mapa.
Meu irmão. Ainda era estranho pensar nisso.
O jantar começou devagar. Educado demais. Daniel elogiou a comida. Caleb agradeceu. Eu sorri. Aqueles sorrisos educados, quase ensaiados. Parecia reunião de família em filme antigo, onde todo mundo finge normalidade enquanto pensa mil coisas ao mesmo tempo.
— Então… — Daniel começou, olhando em volta. — Vocês moram aqui há muito tempo?
Caleb respondeu, explicou da casa, das crianças, do trabalho. Daniel ouvia com atenção demais. Como