Daniel
Eu tinha dezesseis anos quando o mundo que eu conhecia quebrou em silêncio.
Até aquele dia, minha vida era simples. Escola de manhã, futebol à tarde, minha mãe reclamando do meu quarto bagunçado e meu pai chegando cansado do trabalho, sempre com aquele jeito calmo, firme, seguro. Eu achava que segurança era isso: rotina. Pessoas que voltam pra casa. Coisas que não mudam.
Naquele dia, eu estava voltando da escola a pé. O uniforme ainda amassado, a mochila pesada nas costas, pensando em qualquer coisa boba. Uma prova de matemática, talvez. Ou no jogo do fim de semana. Coisa de adolescente que acha que a vida vai ser sempre daquele tamanho.
Quando cheguei na rua de casa, vi a porta aberta.
Isso nunca acontecia.
Minha mãe estava sentada no sofá, imóvel, com o telefone na mão. O rosto dela estava estranho. Não pálido. Vazio. Como se alguém tivesse arrancado algo de dentro dela.
— Daniel… — ela disse, e só pelo jeito que falou meu nome eu soube que nada nunca mais ia ser igual.
Ela l