Pamela
Eu fiquei um tempo sentada dentro do carro, com as mãos apoiadas no volante, respirando fundo antes de sair. A casa da Flávia estava exatamente como eu lembrava. Bonita, organizada demais, com aquele ar de que nada nunca saiu do controle ali dentro. Engraçado como as fachadas mentem.
Meu estômago estava embrulhado.
Não era medo. Era responsabilidade.
Eu ia virar a vida de duas pessoas do avesso.
Desci do carro devagar, caminhei até a porta e toquei a campainha. Por um segundo, pensei em ir embora. Fingir que ainda não era hora. Mas era. Já tinha passado da hora.
A porta se abriu e a Flávia apareceu. O sorriso dela veio automático, mas morreu no meio do caminho quando me viu séria demais.
— Pamela… aconteceu alguma coisa? — ela perguntou, já abrindo espaço pra eu entrar.
— Aconteceu. E a gente precisa conversar.
Ela não perguntou mais nada. Só assentiu e me levou até a sala. Valentina estava sentada no sofá, mexendo no celular. Quando me viu, sorriu.
— Oi, Pam.
— Oi, Val.
Sentei