Daniel
Cheguei em casa como se alguém tivesse arrancado o chão debaixo dos meus pés.
Fechei a porta devagar, como se o barulho pudesse denunciar o que eu estava sentindo. Joguei a chave em cima do balcão e fiquei parado, olhando pro nada. A casa estava em silêncio. Silêncio demais. Do tipo que aperta o peito.
Eu já sabia.
Sempre soube.
Desde moleque.
Desde a primeira vez que vi uma foto antiga dele, daquele homem que todo mundo chamava de respeitável. Desde a primeira vez que me olhei no espelho e vi um rosto que não combinava com a história que me contaram.
O teste de DNA não foi surpresa nenhuma.
Foi confirmação.
E mesmo assim… doeu.
Doeu pra caralho.
Sentei no sofá e passei as mãos no rosto. O choro veio forte, sem pedir licença. Um choro feio, pesado, desses que sacodem o corpo inteiro. Não era só tristeza. Era raiva. Era abandono. Era anos de perguntas sem resposta explodindo de uma vez.
— Filho da puta… — murmurei, falando do homem que nunca me quis.
Ele me rejeitou antes mesmo