Valentina foi a primeira a reagir.
Flavia
Quando a porta se fechou atrás da Pamela, o silêncio caiu sobre a casa como um peso físico. Eu fiquei parada no meio da sala por alguns segundos, sem saber o que fazer com as mãos, com o corpo, com a cabeça. Era como se alguém tivesse puxado um tapete invisível debaixo de mim e agora eu estivesse tentando me equilibrar no ar.
Valentina foi a primeira a reagir.
Ela começou a andar de um lado pro outro, passando a mão no cabelo, respirando rápido demais. Eu conheço minha filha. Aquilo não era raiva ainda. Era pânico.
— Isso não pode ser verdade — ela disse, a voz trêmula. — Não pode. Esse cara pode estar mentindo. Essa Pamela pode estar enganada. Ou pior… pode estar inventando tudo.
Eu fechei os olhos por um instante.
Doeu ouvir aquilo. Não por causa da Pamela em si, mas porque eu sabia. No fundo, bem no fundo, eu sempre soube.
— Valentina… — comecei, tentando manter a calma. — A Pamela não veio aqui pra brincar com a nossa cara.
Ela parou na minha frente.
— Mãe, você não percebe