Pamela
Eu fiquei alguns segundos parada no meio da sala depois da ligação do Caleb. O celular ainda na minha mão, a tela escura, como se aquilo tudo pudesse sumir se eu me mexesse rápido demais. Meu coração estava batendo estranho, acelerado, fora do ritmo. Não era medo. Era emoção demais junta.
Respirei fundo e a primeira pessoa que veio na minha cabeça foi a Vitória.
Minha sogra.
Ela merecia saber. Precisava saber.
Disquei o número com os dedos trêmulos. Chamou duas vezes.
— Pamela? — a voz dela saiu apreensiva, cansada.
— Vitória… sou eu.
— Aconteceu alguma coisa? — ela perguntou rápido, já em alerta.
Eu fechei os olhos antes de falar. Quando abri, as lágrimas já estavam caindo.
— As crianças… — minha voz falhou. — O Lucas e a Isabela… eles foram encontrados.
Do outro lado, silêncio. Um silêncio pesado.
— Pamela… — ela sussurrou. — Você tá falando sério?
— Tô. Estão com o Caleb agora. Estão vivos. Vão passar por exames, mas estão bem.
Eu ouvi o choro dela. Um choro sentido, alto, s