Eu acordo antes do sol, quando a luz na Sicília ainda é um azul pálido e incerto que se infiltra pelas frestas das pesadas cortinas de veludo.
Por alguns segundos, o desorientação me sufoca. O teto é alto demais, adornado com afrescos que narram glórias que não me pertencem; o quarto é vasto, um oceano de luxo onde eu pareço um náufrago. O silêncio aqui não tem a densidade abafada da neve russa; ele vibra com o rumor distante do mar Jônico e o estalar da madeira polida.
Então, a realidade se ass