Saulo narrando
Cheguei em casa carregando uma inquietação que não me largava. Afrouxei a gravata com força demais, como se ela fosse a culpada por me faltar ar, e me joguei na poltrona do quarto. Servi um copo de uísque. O líquido tremia levemente, denunciando algo que eu me recusava a admitir.
Fechei os olhos por um instante, tentando afastar a imagem. Inútil. Eles voltavam. Sempre voltavam. Não era apenas desejo. Era pior. Era familiaridade. Um incômodo profundo, como se minha mente soube