Capítulo 4

— Ele já esteve pior. — Comenta Fred colocando a mão pesada no meu ombro, mas muito respeitoso.

— Vai ficar bem, Emma. — Assegura Tony sentado num sofá cinza. E perco alguns minutos observando tudo à volta.

Ao contrário, do que parece acontecer pela casa inteira, este quarto é mais rústico, é completamente forrado de madeira, exceto a parede onde tem uma TV. A cama mantém o estilo que as outras exceto o fato desta ter pelo menos uns dois metros de largura e provavelmente o mesmo quase de comprimento. Os lençóis e cobertores são cinzas e brancos fazendo contraste com a manta preta com um caça-sonhos desenhado nela.

De frente para a porta, a cama e uma janela pequena com uma cortina blackout aberta, a maior janela deve ser a que dá para a varanda está fechada e por ser noite, algumas das luzes no teto estão ligadas. Do mesmo lado da janela tem uma manta tipo tapete no chão e uma almofada enorme como a que eu gostava quando pequena.

— Não pode ser…. — Digo sacudindo a cabeça, ao encontrar outra almofada, em preto quase cinza-escuro perto da estante de livros com uma lareira para aquecer nos dias mais frios, e no chão mais uma manta e algumas almofadas mais pequenas espalhadas.

— Emma, porque não te aproximas? — Pergunta Tony com um sorriso ao entender que analiso o quarto do homem que está deitado de olhos fechados e com o rosto, tronco machucado.

— Não sei se é uma boa ideia. — Afirmo com um pouco de receio.

— Ele não te vai fazer mal. — Assegura Fred levantando para chegar perto de Tayler contornando a cama enorme. — Mas se ele mover e nós notarmos perigo, o seguramos. Está bem? — Diz com um sorriso e Tony também se coloca em pé.

— Não o deixem magoar-me. — Imploro com receio, pois o homem está dormindo e pode acordar desorientado. Sento na ponta da cama para retirar as sapatilhas brancas que estão muito longe já da sua cor original, subo engatinhando para chegar até à cabeceira da cama. — E se acordar e não me quiser aqui, para onde vou? — Questiono ao que os dois me olham como se tivessem nascido chifres em mim.

— Linda, nunca vai deixar-te sair. — Afirma Fred dando-me segurança com o seu olhar.

— Se ele não quiser vais para a minha casa, e depois quando ele estiver melhor conversam. — Assegura Tony ao que dou um sorriso, e assim com aqueles dois homens ali prontos a salvarem-me do homem que parece moribundo, deslizo a minha mão por seus cabelos compridos, que estão ainda maiores quando ainda era adolescente e eu adorava brincar com eles.

— Ty… — Chamo baixinho sem olhar para os espectadores porque tenho a certeza de que estou corada. — Tayler… acorda dorminhoco. — Falo ao recordar que era assim que o despertava quando adormecia no meio da brincadeira nos dias de sol. — Ty… grandão, tu és pesado. — Digo baixinho em seu ouvido, mas fico sem reação quando a sua uma mão pesada e muito quente vem parar meus movimentos quando pousa no meu pescoço.

— Tayler? — Chama um dos homens, mas não consigo mexer pela pressão que coloca, mas não de uma forma que possa magoar-me.

— Tayler, larga a Emma, irmão. — Este sei que é Tony e o aperto da mão diminui a pressão, mas não solta por completo, porque puxa meu rosto para ficar em frente ao do homem deitado, machucado, que ainda nem abriu os olhos.

— Ty… — Sussurro quando me puxa até minha testa pousar na dele.

— Talyer, estás ouvido? — Questiona Fred com um pouco de receio, já que o homem deitado se quiser parte meu corpo em pedaços minúsculos considerando nossas diferenças em peso e de altura.

— Estou. Saiam! — Ordena sem abrir os olhos.

— Tu estás bem? Sabes quem ela é, certo? — Questiona Tony apreensivo ao nosso lado.

— Não sou burro, Tony. — Rebate o homem me fazendo fechar os olhos com o calor da respiração que sai pela sua boca. — Abre os olhos, Emm. — Pede tocando no meu rosto afastando o meu cabelo, depois de ouvirmos a porta fechar.

—Oi. — Digo com um sorriso, mirando os olhos cor da água, que me fazem recordar os melhores momentos que passei até ali.

— Olá, Emma. Não estou a sonhar pela morfina, pois não? — Questiona tentando mover-se quando me afasto para ficar sentada e em cima das minhas pernas.

— Não. O teu irmão deu hoje o teu enderenço. Posso ficar aqui uns dias? Eu posso trabalhar para pagar pelas despesas. — Digo rapidamente para não dar tempo de recusar-me um teto, mas ele fecha os olhos e tenta mexer-se novamente.

— Não quero que trabalhes. E podes ficar aqui o tempo que quiseres. — Diz tocando em minha perna, deixando-me com calor, como se sua mão por cima das minhas calças jeans queimasse como brasa.

— Como isso foi acontecer? — Questiono tocando com cuidado no peito dele onde há vários hematomas visíveis mesmo com o tanto de tatuagem no seu corpo.

— Uma luta com um adversário sem princípios. O sujeito… era enorme. — Diz dando um sorriso de lado e tentando me puxar. — Vem cá, preciso de arranjar uma forma de colocar meu pescoço.

— E é assim que vais conseguir? — Questiono ouvindo a sua risada e seu corpo estremecendo para de seguida o ouvir reclamar da dor. — Não estou a magoar estando assim? — Indago porque deitei a cabeça em seu peito e seu braço esquerdo está fechado em minha cintura.

— Não, estás perfeitamente bem. — Diz e sua mão direita toca em meu rosto com uma suavidade que não devia existir num tipo tão grande e assustador como ele.

Tayler tem 27 anos, cabelo comprido castanho e olhos azuis a única coisa que herdou dos pais, porque de resto é idêntico ao avô paterno que faleceu quando tinha 10 anos.

Mas foi aí, que começaram os problemas quando descobriram que o idoso colocou a herança para Ty, os Watson começaram a controlar o garoto e de tanta pressão, Taylor começou a desviar de cada vez mais. Fez a primeira tatuagem aos 15, e pelo que parece não parou, os pais o expulsaram de casa com 17 anos. E a partir desse dia, quem fosse a favor do jovem Tayler não era mais bem-vindo no seio da família.

Mas agora aqui, ao deslizar a mão pelo seu peito, contornando as tatuagens, percebo que errei ao me distanciar dele, mesmo depois de ter completado a minha maioridade. Tayler não é em nada o que os pais comentam para todo o mundo da sociedade rica e insuportável de Manhattan.

— Em que pensas, escurinho? — Questiona me fazendo bufar por ouvir ainda agora sendo adultos o maldito apelido.

— Que errei para contigo. — Digo apoiando-me num braço e aproximando de seu pescoço para pousar a minha cabeça, cheirando o seu cheiro e sentido a maciez dos seus cabelos que se misturam aos meus.

— Porquê?

— Por não te ter procurado mais cedo. — Digo e ele volta a colocar o braço pela minha cintura e me aperta.

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