Mundo ficciónIniciar sesiónEla pensou que estava correndo para a sua liberdade... mas acabou caindo na armadilha perfeita. Dafne Aslan tinha apenas uma escolha: fugir. Vendida pelo próprio pai para um fazendeiro cruel de cinquenta e sete anos, ela arriscou tudo em uma noite de tempestade, correndo pelos campos dourados com o coração na boca e os capangas em seu encalço. Mas o desespero a fez cruzar uma linha perigosa. Ao se jogar na rodovia principal da cidade, o impacto contra um carro de luxo muda o seu destino para sempre. Ela não sabe, mas ela acaba de colidir com o império dos De la Vega, cinco irmãos bilionários, implacáveis e perigosamente possessivos que mandam na cidade. Um CEO controlador, o mafioso impiedoso, um médico cirúrgico, aquele atleta predador e um cozinheiro enigmático. Cinco homens poderosos com um único pensamento: o que cai no território deles, permanece deles. Agora, Dafne está trancada no mundo luxuoso e sufocante desses irmãos. Eles vão protegê-la do passado, mas quem a protegerá da obsessão de cinco homens que se recusam a dividi-la com o mundo? Até onde ela vai para escapar de um monstro, se o preço for se entregar a cinco predadores?
Leer más༺ Dafne Aslan ༻
Na minha vida nada era fácil. Meu pai fazia questão de tornar a minha existência um verdadeiro inferno desde o dia em que a minha mãe fugiu com outro homem, um capataz mais jovem e bonito que trabalhava em nossas terras. Para piorar a minha ruína, a minha tia Francisca irmã dela, que sempre fora doentiamente apaixonada pelo meu pai, aproveitou-se do momento de fragilidade dele. Ela o seduziu, os dois dormiram juntos e ele acabou se casando com ela logo em seguida. Desde que ela se tornou a senhora desta casa, eu não tive um único dia de paz. Na época, eu era apenas uma criança indefesa. Com uma frieza cirúrgica, ela fez meu pai acreditar que eu não era sangue do seu sangue, mas sim o fruto proibido de um dos muitos amantes que a minha mãe supostamente mantinha. Com isso meu pai passou a me tratar como a pior pessoa do mundo, uma mancha na honra de um casamento fracassado, fazendo-me sofrer as mais dolorosas humilhações. Agora, de pé diante dele no escritório imponente, recebo a notícia devastadora de que ele vendeu o meu destino. Ele vai me casar à força com o senhor Vicente, um fazendeiro viúvo de cinquenta e sete anos. Um velho horrível, conhecido por sua crueldade e por seus olhos asquerosos que me despiam sempre que nos cruzávamos na alta sociedade conservadora da região. Porém, desta vez, o medo que sempre me calou transformou-se em uma fúria cega. Senti o sangue ferver nas minhas veias, enfureci-me como nunca e gritei com todas as forças que guardava no peito: — Eu não vou me casar com este homem nunca! O silêncio que se seguiu foi cortante, interrompido apenas pelo som pesado da respiração do meu pai. Seu rosto mudou de cor, atingindo um tom vermelho de pura cólera. Ele desferiu um soco violento contra a mesa de madeira maciça, fazendo os papéis e os copos de cristal tremerem. — Você vai se casar sim! — o grito dele ecoou pelas paredes altas do escritório, uma ordem absoluta que não admitia contestação. — Você não tem escolha, Dafne! O senhor Vicente é um ótimo partido, um homem de posses, respeitado por toda a elite e com uma fortuna que consolidará o poder do nosso nome. Você deveria me agradecer de joelhos por arrumar um teto e um marido que limpe a sua reputação, em vez de agir como uma imunda ingrata! O enfrentei, dando um passo à frente, erguendo o queixo e sustentando o seu olhar assassino. As lágrimas de raiva queimavam meus olhos, mas eu me recusei a deixá-las cair. — Um ótimo partido para os seus negócios, não para mim! — rebati, com indignação, mas firme o suficiente para fazê-lo recuar um milímetro. — Ele tem idade para ser meu avô! É um monstro de aparência asquerosa e alma podre. Prefiro a morte a ser entregue a um velho nojento como ele por pura ganância de vocês! No canto da sala, sentada confortavelmente na poltrona de veludo como se assistisse a um espetáculo, minha tia Francisca soltou uma risada anasalada, carregada de deboche e veneno. Ela ajeitou as joias caras no pescoço e se levantou com uma elegância falsa, fingindo uma postura de autoridade moral que nunca possuiu. — Deixe de ser dramática, menina. Olhe para o seu estado, gritando como uma louca varrida dentro desta casa — ela disse, caminhando calmamente em nossa direção, com um sorriso cínico nos lábios perfeitamente pintados. — Seu pai está fazendo o que é melhor para o seu futuro. Você deveria abaixar a cabeça, ser obediente e aceitar o milagre que é um homem digno como o senhor Vicente aceitar carregar o fardo de um sobrenome manchado pela promiscuidade da sua mãe. Você é um peso morto nesta família, e este casamento é a única utilidade que você tem. Toda a dor, toda a humilhação que engoli na infância, os anos de rejeição e as noites que passei chorando trancada no quarto explodiram dentro de mim. Eu não vi mais nada. Antes que ela pudesse terminar a última palavra ofensiva, meu corpo agiu por puro instinto de sobrevivência. Avancei como uma leoa e dei um tapa violento na cara dela. O barulho do impacto da minha mão contra a pele do rosto dela preencheu o cômodo com uma força ensurdecedora. O golpe foi tão forte que a cabeça dela virou para o lado, desfazendo o coque alinhado e fazendo seus anéis arranharem a própria bochecha. Minha mão ardeu, mas a sensação de vê-la cambalear para trás foi o primeiro momento de justiça que senti na vida. — Cale a sua boca maldita! — berrei, apontando o dedo trêmulo contra o rosto dela, que agora estava vermelho com a marca dos meus dedos. — Tudo isso é culpa sua! Toda a desgraça da minha vida, cada lágrima que derrubei, cada vez que meu pai me olhou com nojo… foi você quem plantou! Você sempre foi uma sombra invejosa da minha mãe, uma cobra-rasteira que não sossegou até roubar o marido dela e destruir o que restava de mim! Você é um monstro disfarçado de santa! Francisca levou a mão à bochecha atingida, seus olhos arregalados em choque absoluto. A máscara de dondoca sofisticada caiu instantaneamente, dando lugar a uma expressão de puro ódio. Ela se encolheu teatralmente, olhando para o meu pai para buscar apoio e encenando o seu papel de vítima. — Você viu o que essa garota fez? Ela me agrediu dentro da minha própria casa! — ela gritou dramaticamente, tentando forçar um choro falso enquanto se defendia. — Passei anos aguentando a sua presença, sustentando a filha de um adultério sob o meu teto, e é assim que sou recompensada? Ela é perigosa, uma marginal! Você precisa colocá-la no lugar dela antes que ela termine de destruir o que restou da nossa dignidade! Sou a sua esposa. Meu pai, cego pela fúria de ver a autoridade da sua casa ser desafiada daquela maneira, deu a volta na mesa com passos pesados. Ele me segurou pelo braço com tanta força que seus dedos se enterraram na minha pele, sacudindo-me com violência. — Chega! — ele rugiu, e o ódio em seus olhos castanhos era quase palpável. Jogou na minha cara toda a frustração de uma vida inteira de amargura. — Você é exatamente igual à sua mãe! Uma sem-vergonha, uma vagabunda que não respeita o teto onde come! O mesmo sangue podre e infiel corre nas suas veias. Ela destruiu o meu orgulho fugindo com aquele caipira, e você está aqui tentando fazer o mesmo, agindo como uma rebelde sem moral! Eu tentava me soltar do aperto dele, mas a dor física não era nada comparada à dor de ouvir aquelas ofensas cuspidas pelo homem que deveria ter me protegido do mundo. — Não fale da minha mãe! Você não sabe o que ela passou para decidir fugir de um homem frio e cruel como você… — gritei de volta, enfrentando-o cara a cara, sem medo das consequências. — Você me odeia porque é um covarde que não consegue aceitar que foi abandonado! Usa as mentiras dessa mulher nojenta para justificar a sua própria ruína e desconta em mim a sua frustração! Ele apertou ainda mais o meu braço, seus dentes trincados, e aproximou o rosto do meu, desferindo o golpe final, a frase que ele guardara por anos para me destruir por completo: — Você supõe que é importante, não é, Dafne? Pensa que tem o direito de exigir algo, de impor condições nesta casa? Acorde para a realidade! Você não é nada. Você não é minha filha! Você é o rastro da traição que aquela maldita deixou para trás para me envergonhar. Eu não tenho nenhuma obrigação de te amar ou de te poupar. Irei te entregar ao Vicente e lavar as minhas mãos da sua existência de uma vez por todas! Aquelas palavras deveriam ter me quebrado e me feito desabar de joelhos no chão e implorar por misericórdia. Mas, em vez disso, algo se rompeu dentro de mim, a última corrente que me prendia àquele lugar e àquele homem. Uma clareza fria e afiada tomou conta da minha mente. Olhei bem, no fundo dos olhos dele, puxei o meu braço com toda a força que me restava e me libertei do seu aperto. Dei um passo para trás, encarando ambos os monstros que moldaram o meu inferno. — Se eu não sou sua filha, então eu não te devo absolutamente nada — rebati com uma calma cortante que o pegou de surpresa. — Eu não pertenço a este lugar, não pertenço a você e, acima de tudo, eu nunca serei propriedade de nenhum homem que você escolher. Virei as costas sem esperar por mais nenhuma palavra, ignorando os gritos do meu pai que ordenavam que eu voltasse. Saí do escritório direto para o meu quarto. Eu não tinha tempo a perder. A noite estava caindo sobre a cidade antiga, e essa seria a última noite que eu respiraria o mesmo ar que eles. Eu iria fugir, mesmo que isso significasse correr sem rumo em direção ao completo desconhecido.༺ Dafne Aslan ༻Depois de toda aquela confusão ridícula na varanda, subo as escadas a passos largos e me tranco no quarto. Decido que não vou mais me expor às provocações deles nesta casa. Passei o resto do dia reclusa, aceitando refeições unicamente quando Dante bate na porta e me entrega as bandejas em silêncio.Alejandro ainda faz questão de vir até a minha porta, acompanhado por Dante, para me dar um aviso direto. Ele exige de forma rígida que eu evite ir para a área externa da propriedade. O objetivo é impedir que homens a serviço do meu pai tirem fotos minhas e utilizem essas imagens como prova legal. Eles temem acusações formais de cárcere privado ou sequestro. Fico em silêncio diante da ordem e me tranco novamente. Quando me vejo sozinha na penumbra desse quarto imenso, meu peito se aperta. Sento na beirada da cama e me pergunto como a minha vida se transformou nesse redemoinho insano em tão pouco tempo.Minha existência inteira sempre se resumiu a encarar uma tempestade at
༺ Dafne Aslan ༻Jamais imaginaria na minha vida me pegando beijando um brutamonte arrogante e sem noção como o Santiago. No entanto, ali estava eu, encostada na madeira da varanda, permitindo que ele devorasse a minha boca sem a menor cerimônia ou pudor.A entrega parecia involuntária, um curto-circuito completo no meu cérebro. Por um breve instante, a sensação se mostrou incrivelmente gostosa. O beijo dele carregava uma pegada selvagem, quente e urgente, fazendo uma onda de calor inexplicável percorrer todo o meu corpo.Sinto os meus joelhos fraquejarem levemente sob a pressão, a ponto de soltar um gemido manhoso que escapa entre os nossos lábios.Santiago se afasta milímetros da minha boca, ostentando um sorriso malicioso e vitorioso enquanto sustenta o contato. A proximidade excessiva faz a sua respiração quente bater direto contra a minha pele avermelhada, queimando cada parte do meu rosto.— Você fala o tempo todo que me odeia, passarinha — ele provoca, baixando a voz. — Mas está
༺ Santiago de La Vega ༻Observo Dafne sumir no final do corredor com passos apressados e duros. Dou uma risada curta, caminhando até a bancada para me servir de uma xícara de café quente.— A garota saiu daqui praticamente cuspindo fogo — comento, girando o líquido escuro no recipiente antes de dar o primeiro gole.Dante me repreende sem nem se virar, ainda concentrado nas panelas sobre o fogão industrial. Ele limpa a borda de uma frigideira com calma.— Você deveria parar de provocar a Dafne desse jeito, Santiago — ele avisa, num aviso sério. — Vai acabar ganhando o ódio definitivo dela para o resto da vida.Encaro meu irmão, soltando um resmungo debochado diante daquela lição de moral desnecessária.— Como se ela fosse uma pessoa super fácil de conviver no dia a dia, não é? — rebato de imediato, arqueando a sobrancelha.Dante se vira na minha direção, me medindo da cabeça aos pés com sarcasmo.— Claro! E você é um verdadeiro amor de pessoa, não é mesmo? — ele ironiza, voltando a fo
༺ Dafne Aslan ༻Acordo na manhã seguinte, sentindo o meu corpo consideravelmente mais disposto e pronto para encarar o que quer que este dia reserve. Depois de toda aquela confusão exaustiva da noite passada, descansei por longas horas.Tomo um banho reforçado, visto roupas limpas e desço a escadaria em silêncio. Sinto o cheiro delicioso de waffle quente invadir as minhas narinas assim que me aproximo da área de serviço. Piso na cozinha e me deparo com Dante trabalhando no balcão.Ele vestia somente uma calça de moletom cinza, com o avental amarrado diretamente sobre o peitoral largo e musculoso. Solto um suspiro fundo e pesado diante daquela visão.Aquilo só poderia ser uma provocação de péssimo gosto ou uma tentativa deliberada de me enlouquecer, assim como todos os outros nesta casa tentam fazer. Não é possível que esses homens vivam sem camisa pela propriedade.Dante percebe a minha presença na entrada, virando a estrutura gigante com um sorriso ameno nos lábios. Ele limpa as mãos
Último capítulo