Sérgio mergulhou no trabalho com a obstinação de quem precisa manter as mãos ocupadas para não pensar. Chegava ao escritório antes de todos, saía depois que as luzes já estavam apagadas. No início, colegas tentaram puxar conversa, chamá-lo para almoçar ou tomar um café. Depois de tantas recusas, pararam de insistir.
Ele não falava de Abigail. Não porque tivesse deixado de pensar nela — mas porque falar tornaria tudo mais real. Às vezes, no meio de uma reunião, um gesto, uma risada ou um perfume