A estrada se estendia diante deles como uma linha infinita, cortando a escuridão da noite. Os faróis do carro iluminavam o asfalto molhado pela garoa fina, e o som constante dos pneus era o único ruído que preenchia o interior silencioso do veículo.
Sérgio estava no banco do passageiro, com o corpo inclinado para a frente, os cotovelos apoiados nos joelhos e o olhar fixo na estrada. A cada quilômetro percorrido, seu coração batia mais forte.
A mente insistia em criar imagens — algumas boas, outras aterrorizantes. Imagens do filho nos braços de Regina, dele chorando, assustado… e, por cima de tudo, a sensação sufocante de não estar perto para protegê-lo.
Marcos dirigia com firmeza. O olhar atento, a postura rígida. Por fora, parecia sereno, mas os nós apertados em seus dedos no volante denunciavam a tensão que o corroía por dentro.
— Já passamos metade do caminho — disse ele, com voz grave, quebrando o silêncio pela primeira vez em horas.
Sérgio apenas assentiu, sem desviar os olhos do