O vestido estava em cima da cama. Claro que estava. Preto, elegante, bonito de um jeito irritante. Daquele tipo que parecia simples até você encostar no tecido e perceber que custava mais do que três meses de aluguel. Peguei a peça com a ponta dos dedos, como se ela fosse me morder, e virei para procurar o zíper. Nas costas. Óbvio.— Filho da puta — murmurei.Não para Rafael. Para o universo mesmo. Embora, naquele dia, os dois estivessem trabalhando juntos contra mim.Tirei minha roupa com pressa, tentando não pensar que eu estava no quarto de um homem que, tecnicamente, era meu marido. Falso, mas marido. A palavra já era uma desgraça por si só. Vesti o vestido e puxei o tecido pelo corpo, sentindo uma raiva absurda porque ele servia perfeitamente. Cintura, busto, quadril. Tudo certo. Certo demais.Quem tinha escolhido aquilo sabia minhas medidas. E eu preferia não pensar em como.Fui até o espelho. O vestido era bonito, sim. Fechado na frente, discreto, mas deixava os ombros à mostra
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