A terça-feira à tarde tinha aquela luz dourada e preguiçosa que parecia feita sob medida para conversas sem hora para acabar.
A casa estava em silêncio. Sophia estava na escola, participando de uma oficina de pintura, e Arthur tinha ficado preso em uma reunião prolongada na empresa. Era o cenário perfeito: só eu, o jardim, o Mingau dormindo na poltrona de vime e, claro, Mirielen.
Ela estava na minha cozinha há duas horas, e não tinha parado de falar nem por um segundo.
— E aí eu olhei pro garço