98 - Adeus, Seattle. Adeus, Dante.
ARIEL MACEY
— ARIEL! ESPERA!
Virei-me devagar, sentindo o coração martelar contra as costelas.
Caminhando pelo corredor acarpetado do finger, com uma elegância predadora que nem a iluminação artificial e fria do aeroporto conseguia diminuir, estava Henrico Vigneto.
Ele não usava os ternos pretos e severos de "Don". Ele vestia uma calça de sarja escura, uma camiseta de gola alta de cashmere cinza e um sobretudo de lã aberto, com uma mala de mão pendurada despreocupadamente no ombro.
Minha avó, que tinha parado ao meu lado, ajeitou os óculos, semicerrando os olhos.
— O que você está fazendo aqui? — perguntei, a voz saindo num sussurro estrangulado, enquanto ele diminuía o passo ao se aproximar de nós.
Henrico parou a meio metro de mim. O cheiro dele invadiu meu espaço pessoal, substituindo o cheiro de combustível de avião. Ele sorriu, aquele sorriso de canto que eu tinha aprendido a desconfiar.
— Você não achou que eu te deixaria ir sozinha desse jeito, achou? — Ele baixou os o