ARIEL MACEY
O táxi parou em frente à casa de varanda amarela em Ballard.
A chuva tinha dado uma trégua, substituída por uma neblina úmida que envolvia o bairro silencioso como um cobertor de algodão sujo. Paguei o motorista e desci, segurando minha mala pequena com uma mão e protegendo meu ventre com a outra, um gesto que já estava se tornando involuntário, parecia um tique nervoso da minha nova realidade.
Fiquei parada na calçada por um momento, olhando para a casa.
Era o lar que eu tinha lutado tanto para recuperar. O lugar onde cresci, onde aprendi a andar de bicicleta, onde chorei pelos meus pais. Eu tinha espionado para a máfia, traído o homem que amava e roubado documentos confidenciais para garantir que minha avó vivesse e essa casa continuasse sendo nossa.
E agora, eu estava prestes a abandoná-la novamente.
A ironia era amarga, mas necessária. Seattle não era mais segura. Cada esquina me lembrava Dante. Eu precisava fugir, não apenas pela minha vida, mas pela vida minúsc