DANTE VELASQUEZ
Quando os portões de ferro da minha casa se abriram, separando o mundo lá fora, do meu paraíso particular, senti meus ombros descerem cerca de cinco centímetros.
Olhei para Ariel. Ela estava recostada no banco, olhando para a fachada iluminada da casa com uma expressão de exaustão e alívio. Ela tinha sido perfeita hoje.
— Chegamos — murmurei, tocando o joelho dela.
Antes que o motorista pudesse dar a volta para abrir a porta, eu já estava do lado de fora. Abri a porta para Ariel e ofereci a mão. A chuva tinha diminuído para uma garoa irritante, mas não me importei. Só precisávamos entrar.
A porta da frente se abriu antes mesmo de alcançarmos a soleira.
Não foi Alfredo quem apareceu. Foi um furacão loiro de um metro.
— Papai! Ariel!
A voz.
Ainda me pegava desprevenido. Toda vez que ela falava, meu coração dava um salto mortal, esperando o silêncio, mas recebendo som.
Me agachei bem a tempo de receber o impacto. Luna se jogou contra o meu peito.
—