DANTE VELASQUEZ
Tirei o relógio do pulso e o coloquei na mesa de cabeceira. O banho quente tinha lavado o estresse do dia, mas não tinha conseguido remover a tensão residual causada pelo envelope preto que repousava, agora aberto e desprezado, sobre a minha cômoda.
Deslizei para dentro dos lençóis. O colchão afundou com o meu peso, e Ariel se mexeu instintivamente, virando-se na minha direção sem abrir os olhos. O cheiro dela invadiu meus sentidos.
— Você apagou a Luna em tempo recorde hoje — sussurrei, passando o braço por baixo do pescoço dela e trazendo-a para o meu peito.
Ariel abriu um olho, sonolenta, e um sorriso preguiçoso curvou seus lábios.
— Foi o excesso de açúcar no sangue. Ou talvez o fato de ela ter passado o dia sendo minha enfermeira particular. Dá trabalho cuidar de pacientes teimosos.
— Eu imagino. — Beijei o topo da cabeça dela. — E você? Como está se sentindo? Tontura? Dor?
— Só cansaço, Dante. E um pouco de tédio. — Ela suspirou, acomodando a cabeça