ARIEL MACEY
Luna não foi à escola e ficou no quarto comigo a manhã inteira, desenhando em silêncio, trazendo água, ajeitando meu travesseiro sempre que eu me movia.
Perto do meio-dia, Alfredo trouxe o almoço. Uma sopa de legumes cremosa para mim e nuggets de frango para Luna.
Estávamos comendo na cama quando meu celular vibrou na mesa de cabeceira, peguei e soube que era Henrico.
Olhei para Luna. Ela estava concentrada mergulhando um nugget no molho barbecue, cantarolando uma música baixinha.
— Luna, querida — chamei, tentando manter a voz natural. — Você pode ir buscar a sobremesa na cozinha com o Alfredo? Diz pra ele que eu liberei um chocolate.
Os olhos de Luna brilharam com a menção da palavra mágica.
— Chocolate? — ela repetiu, sorrindo.
— Sim. Corre lá.
Ela desceu da cama num pulo e saiu correndo do quarto, feliz da vida.
Assim que a porta se fechou, peguei o celular.
Respirei fundo e atendi.
— Alô.
— Olá, bella. Soube que você teve um fim de semana...