DANTE VELASQUEZ
Acordei tateando o vazio.
Minha mão deslizou pelo lençol frio do lado esquerdo da cama, buscando o calor ao qual me agarrei durante a noite, mas encontrei apenas o tecido.
Abri os olhos, piscando contra a claridade que invadia o quarto. O lugar onde Ariel deveria estar estava vazio.
Sentei-me, passando a mão pelo rosto, sentindo a barba por fazer arranhar a palma. Uma pontada de decepção perfurou meu peito. Eu queria ter acordado com ela. Queria ter visto os olhos castanhos se abrindo, queria aquele sorriso sonolento de sábado de manhã.
Foi então que vi o quadrado amarelo na mesa de cabeceira.
Um post-it.
Estiquei o braço e peguei o pequeno pedaço de papel. A caligrafia dela era apressada e arredondada nas vogais.
"Bom dia, Sr. Velasquez. Fui visitar minha avó e comprar algumas coisas que preciso. Volto logo. Não sinta saudades. Mentira, sinta sim. A."
Um sorriso involuntário, quase idiota, curvou meus lábios.
— "Não sinta saudades" — murmurei, lend