Leonardo mexeu no celular e soltou um suspiro tenso.
— Ele me mandou o relatório por e-mail… — disse, deslizando o dedo na tela. — Quer ler ou quer que eu leia?
Engoli seco.
Minha cabeça girava. Rafaela. Daniele. DNA. Verônica. Maria Clara. Agora isso.
— Lê você… — pedi, a voz fraquinha, quase engolida pelo medo.
Clarisse e Roberto se levantaram na mesma hora, como se a situação tivesse mudado a gravidade da sala.
— A gente deixa vocês a sós… — Clarisse começou.
— Não. — Interrompi. — Fica todo mundo. Eu quero vocês aqui.
Eles se entreolharam e voltaram a sentar. Leonardo puxou a cadeira para mais perto de mim. Sem perceber, segurei no braço dele.
Ele abriu o e-mail.
Seu rosto ficou tenso, não assustado, não surpreso, mas tenso do tipo “isso não vai ser fácil”.
Ele começou a ler:
— “Relatório parcial, caso Alana Silva. Registros indicam uma doadora frequente no Orfanato Santa Helena, com contribuições contínuas desde 2004.”
Meu coração tropeçou.
Eu tinha sete anos.
Leonardo me olhou,