Depois de alguns segundos de silêncio carregado, Leonardo estreitou os olhos para Verônica, como quem finalmente enxerga algo que estava bem na sua frente o tempo todo.
— Verônica…
Ela deu um passo pra trás, como um animal acuado.
— Eu preciso ir…
— Verônica, chega de mentiras! — ele explodiu, e o eco da voz dele pareceu estremecer todas as paredes.
Foi aí que ela quebrou.
— Eu sempre te amei! — gritou, a voz esganiçada, cortante. — Desde sempre! Mas você escolheu a Bárbara. Ela! Eu era só a filha mais velha dos Valença!
Meu coração travou. Leonardo ficou imóvel, como se tivesse levado um tapa.
— Nós éramos amigos — ele disse, quase num sussurro.
— Eu era sua amiga — ela cuspiu as palavras, amarga. — Mas você… você era tudo pra mim. Eu que te arrastava pra todos os eventos da família. Eu que apresentei você pra Bárbara. Eu que fazia de tudo pra que a gente se encontrasse!
— Eu não fazia ideia de nada disso…
— A culpa foi minha! — Verônica passou a mão pelo cabelo, completamente descon