Leonardo encarou Veronica com um olhar frio. Não aquele frio blasé de quem não liga… mas o frio de quando conheci ele: duro, incisivo. Só que agora com uma camada extra de raiva contida.
Ela claramente não esperava encontrá-lo em casa. Provavelmente veio nesse horário achando que ele estaria trabalhando. Surpresa era pouco: ela deu uma piscadinha calculada, como quem tenta reorganizar o tabuleiro mentalmente.
Por um segundo achei que ele fosse explodir, expulsar ela dali, jogar todas as verdades na cara dela. Mas não.
Leonardo fez o que mais apavora pessoas como Veronica:
Ele foi educado.
— Boa tarde, Veronica. Como está?
— Ótima — respondeu com um sorriso falso. — Almocei com uns amigos e passei aqui pra ver minha sobrinha. Cadê ela?
— Não está — Leonardo disse, simples.
— Como não? Ela não tem aula hoje fora de casa.
— Saiu com a minha mãe pra visitar uma amiga. Hoje você vai ter que se contentar com a gente mesmo.
A cara de desgosto dela quase me arrancou uma risada. Ela respirou f