A VIÚVA DO DON, A vingança que terminou em obsessão.
A VIÚVA DO DON, A vingança que terminou em obsessão.
Por: LynneFigueiredo
CAPÍTULO 1- O HOMEM QUE NUNCA ERRA.

Quando um dia marcado pela guerra deixa o gosto amargo na língua.

⚜️ NIKOLAS ALEXANDROS DRAKOS KALLISTRATOS.

Meu nome é Nikolas Alexandros Drakos Kallistratos.

Aos vinte e sete anos fundei o Consórcio.

Treze anos depois, homens sentados em gabinetes governavam países. Eu governava o Mediterrâneo.

Não por bandeiras.

Por rotas.

Enquanto políticos desperdiçavam meses discutindo tratados, assinando acordos e prometendo estabilidade, meus navios cruzavam continentes todos os dias. Enquanto exércitos protegiam fronteiras desenhadas em mapas, eu protegia o comércio que mantinha economias inteiras funcionando.

Quem controlava os portos controlava o dinheiro.

Quem controlava o dinheiro nunca precisava controlar homens.

Eles obedeciam por vontade própria.

Não por medo.

Por necessidade.

Foi assim que uma guerra silenciosa começou.

Sem manchetes.

Sem bombas.

Sem soldados marchando pelas ruas.

Uma guerra feita de contratos, seguros, cargueiros, petróleo e influência.

Uma guerra onde um documento podia destruir um império mais rápido do que um míssil.

Uma guerra que levou treze anos para terminar.

E ela havia terminado naquela noite.

O silêncio dentro do jatinho particular era quase absoluto.

Meus homens ocupavam os assentos atrás de mim.

Ninguém falava.

Ninguém tossia.

Ninguém sequer ousava quebrar aquele silêncio pesado que parecia acompanhar o voo desde que deixáramos o Oriente Médio.

Não porque eu tivesse proibido.

Porque todos sabiam que algumas vitórias pesavam mais do que derrotas.

A pistola repousava sobre a pequena mesa de madeira escura ao meu lado.

Limpa.

Fria.

Imóvel.

Meu olhar permaneceu preso nela durante alguns segundos.

Não era a arma.

Era o que ela representava.

Então a lembrança voltou.

Karim Al-Haddad permaneceu em pé até o último instante.

Nem todos os homens conseguem olhar para a morte.

Ele conseguiu.

Quando entrei na biblioteca de sua propriedade, ele já sabia por que eu estava ali.

Não tentou fugir.

Não chamou seus homens.

Não implorou.

Também não demonstrou raiva.

Apenas permaneceu em silêncio.

Durante alguns segundos, dois líderes apenas se observaram.

Sem pressa.

Sem ameaças.

Ele entendia perfeitamente o motivo daquela visita.

Assim como eu entendia que aquele encontro jamais terminaria de outra forma.

A guerra havia ultrapassado um limite que nenhum dos dois acreditava ser possível ultrapassar.

Foi Karim quem rompeu o silêncio.

— Vai matar um Don?

Balancei a cabeça lentamente.

— Não.

Esperei apenas o tempo suficiente para que ele entendesse.

— Vou matar um homem que escolheu a guerra quando ainda existia paz.

O disparo ecoou pela biblioteca.

Depois...

Silêncio.

Nenhum grito.

Nenhuma correria.

Apenas o fim de uma guerra que já havia custado vidas demais.

A aeronave começou a perder altitude.

Olhei pela janela.

As luzes da costa grega surgiam no horizonte como pequenos pontos dourados refletidos sobre a escuridão do Mediterrâneo.

Casa.

Sempre achei curioso como uma única palavra podia carregar tanto significado.

Para alguns homens, casa era um lugar.

Para mim, era território.

Duas horas depois, o jatinho tocou a pista.

Uma fila de SUVs pretas já aguardava ao lado do hangar.

Os motores permaneciam ligados.

Assim que desci, ninguém fez perguntas.

Ninguém comentou a operação.

Meu diretor de segurança apenas abriu a porta traseira do carro.

Entrei.

O comboio deixou o aeroporto em direção à minha propriedade.

A cidade continuava viva.

Bares lotados.

Casais caminhando pelas calçadas.

Turistas rindo.

Música escapando das portas abertas dos restaurantes.

Ninguém imaginava que, naquela mesma noite, um dos homens mais poderosos do Oriente Médio havia deixado de existir.

O mundo continuava girando como se nada tivesse acontecido.

Era exatamente assim que eu preferia.

---

Minha casa ficava de frente para o mar.

Não era uma mansão construída para impressionar.

Era construída para permanecer.

Mármore branco.

Linhas retas.

Vidros enormes voltados para o Mediterrâneo.

Nada ali era exagerado.

Tudo tinha uma função.

Assim que entrei, subi diretamente para o quarto.

Não cumprimentei ninguém.

Não precisava.

Tirei o paletó.

Afrouxei a gravata.

Entrei debaixo da água quente.

Fechei os olhos.

Durante alguns segundos tentei apenas ouvir o som da água.

Mas a imagem continuava ali.

Karim.

O olhar firme.

Nenhum arrependimento.

Nenhum pedido de misericórdia.

Nenhum medo.

Eu já havia visto homens morrerem antes.

Muitos.

Alguns gritavam.

Outros imploravam.

Havia os que prometiam dinheiro, poder ou alianças.

Karim não ofereceu nada.

Aceitou o próprio destino como quem sempre soube que aquele dia chegaria.

Poucos homens morrem com dignidade.

Ele foi um deles.

Desliguei o chuveiro.

Sequei o corpo lentamente.

Vesti uma calça escura e uma camisa preta.

Quando desci, meus homens já me esperavam na sala principal.

Silêncio.

Sempre silêncio.

Aquele era um idioma que todos no Consórcio aprendiam cedo.

Quanto menos palavras eram necessárias, maior era a confiança.

Peguei o celular.

Disquei um único número.

A ligação foi atendida no segundo toque.

— Prepare uma para mim.

Do outro lado da linha, nenhuma pergunta.

Nenhuma confirmação.

Eles já sabiam.

— Chego em quarenta minutos.

Desliguei.

Fui até o bar.

Servi um uísque.

Observei o líquido âmbar girando lentamente dentro do copo antes de levá-lo aos lábios.

Dessa vez bebi.

O álcool queimou a garganta de forma agradável.

Olhei para os homens espalhados pela sala.

Nenhum desviava os olhos.

Nenhum precisava perguntar se a missão havia sido concluída.

Levantei o copo.

— O Don caiu.

Uma pausa.

Longa o suficiente para que todos compreendessem o peso daquelas palavras.

— Essa guerra acabou.

Ninguém respondeu.

Não era necessário.

Todos sabiam o que aquela frase significava.

Treze anos.

Milhares de contratos.

Bilhões movimentados.

E incontáveis decisões difíceis.

Tudo terminava ali.

Deixei o copo sobre o balcão.

Peguei as chaves.

Saí.

---

A boate funcionava apenas para convidados.

Luzes baixas.

Música suficiente para esconder conversas.

Bebidas caras.

Homens discretos.

Mulheres acostumadas a nunca fazer perguntas.

Poucos sabiam quem realmente era o proprietário.

Muito menos quem pagava para que aquele lugar permanecesse aberto.

Assim que entrei, o gerente caminhou em minha direção.

Inclinou discretamente a cabeça.

— A suíte está pronta, senhor.

Assenti.

Subi sem olhar para ninguém.

A rotina era sempre a mesma.

Operação.

Silêncio.

Mulher.

Esquecimento.

Abri a porta.

Ela já estava lá.

Bonita.

Muito bonita.

Provavelmente perfeita para qualquer outro homem.

Sorriu ao me ver.

Deu um passo em minha direção.

Abriu a boca para dizer alguma coisa.

Interrompi antes da primeira palavra.

— Tire a roupa.

Ela hesitou por um instante.

Talvez esperasse uma apresentação.

Talvez imaginasse um elogio.

Depois começou a obedecer.

Afrouxei os botões da camisa.

Observei a cidade pela janela.

Nunca precisei saber o nome de nenhuma mulher.

Nunca precisei saber quem eram.

Nem de onde vinham.

Mulheres nunca passaram de uma maneira eficiente de silenciar dias como aquele.

Era um ritual.

Nada além disso.

Eu não precisava de companhia.

Não precisava de conversa.

Muito menos de sentimentos.

Precisava apenas esquecer.

Pelo menos...

Até a manhã seguinte.

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