Anne Smith
Se tem uma coisa que me tira do sério, além de café frio e trânsito na segunda-feira, é o sorriso de lado de Matheus Arantes. Ele estava sentado na minha frente, na sala de reuniões da Mason Corp., com aquela postura de quem é dono do mundo.
— Esse relatório está impecável, Smith. Mas esses termos na cláusula doze... — Ele fez uma pausa dramática, batendo a caneta caríssima no tampo de vidro da mesa. — Me parecem um pouco conservadores demais para o meu gosto.
— O mercado é conservador, senhor Arantes. — Tentei manter minha voz profissional, embora por dentro eu quisesse jogar o tablet na cabeça dele. — Meu trabalho aqui é sério, não brinco de roleta-russa quando o assunto é a Mason.
— Você é sempre tão... rígida? — Ele se inclinou para a frente. O terno cinza-chumbo moldava os ombros largos dele de um jeito que tornava difícil focar nos números.
— Sou profissional. Existe uma diferença.
Ele soltou uma risada baixa, um som que vibrou na minha nuca.
— Profissionalismo não pr