Fiquei sem chão por um segundo. O mundo deu um passo atrás.
— Você nunca me disse.
— Talvez porque eu não me orgulhe. — O maxilar travou de novo.
— Desculpa — foi tudo que consegui. Sincero e insuficiente.
— Esse filho é dele, não é? — Ele não precisou dizer o nome.
Demorei um batimento. — É.
Ele cambaleou um passo para trás, como se alguém tivesse empurrado o peito dele.
O relógio da parede, caído no chão, marcava uma hora que não existia. Ficamos um tempo que eu não sei medir em silêncio.
— S