Eu não dormir naquele apartamento virado do avesso. O colchão rasgado, as gavetas no chão, roupas espalhadas como bandeiras brancas sem trégua possível. O cheiro de poeira e tinta do quadro rasgado me embrulhava o estômago. Peguei uma mochila, enfiei duas mudas de roupa às pressas e fechei a porta do armário como se isso pudesse guardar o resto do caos lá dentro.
Sentei no sofá — o único sobrevivente — e desabei. O choro veio pesado, mudo no começo, depois soluçado, como se cada lágrima precisa