O carro cruzou os portões da mansão com a mesma lentidão calculada de sempre. A manhã ainda carregava um frio suspenso, como se o dia hesitasse em começar.
Bianca sentou-se ereta no banco de trás, as mãos entrelaçadas, o casaco bem fechado até o pescoço. Helena estava sentada ao lado, imóvel, a postura impecável que parecia sustentar o próprio ar ao redor. Não falava. Apenas observava a cidade despertar pela janela, como se cada edifício fosse parte de um inventário silencioso.
Ela faria uma pa