À noite, o rio parecia uma ferida aberta no vale.
Sem água, sem brilho, sem correnteza — só um corte escuro atravessando a paisagem.
O Norte inteiro sentia falta do som do rio.
Sem ele, a madrugada ficou oca.
Cada passo, cada respiração tinha eco demais.
Helena não conseguia dormir.
Andava pela casa como quem vigia o próprio peito, cada sombra parecendo um aviso.
Foi na terceira volta pelo corredor que ela sentiu.
Um som.
Baixo.
Vindo debaixo da terra.
Ela parou.
O som repetiu.
Não era água