O medo não foi imediato.
Ele se instalou em mim como algo que tenta não ser visto. Um cuidado exagerado ao virar corredores. Um silêncio calculado antes de responder perguntas simples. Um corpo que enrijece quando passos conhecidos se aproximam. Eu tentei fingir que não estava com medo. Tentei agir como se tudo ainda fosse apenas tensão passageira. Mas o corpo não mente.
E Henrico percebeu.
Não porque eu disse.
Mas porque eu mudei.
Na manhã seguinte ao que aconteceu no escritório, acordei antes do habitual. Arrumei-me com mais cuidado do que o necessário, escolhendo roupas neutras, discretas, como se pudesse diminuir minha presença no espaço. Evitei cruzar áreas comuns. Mantive distância. Respondi apenas o essencial. Não olhava mais nos olhos dele por tempo demais.
Aurora notou.
Ela sempre notava.
Enquanto eu ajudava a amarrar os cadarços dos sapatos dela, senti os dedos pequenos apertarem meu pulso com mais força do que o normal. Não era carinho. Era alerta.
— Você vai embora — ela d