Eu não pretendia entrar ali.
Foi um erro simples. Um desvio pequeno. Um desses acidentes que acontecem quando a mente está cansada demais e o corpo segue no automático. Eu vinha do corredor lateral, carregando uma pasta de desenhos de Aurora, quando ouvi um barulho vindo da ala administrativa. Um som seco, como algo sendo derrubado às pressas. Parei por instinto.
O corredor estava vazio.
A porta no final estava entreaberta.
O escritório de Henrico.
Eu nunca tinha entrado ali.
Não por falta de curiosidade. Mas porque aquele espaço parecia existir fora do alcance de todos. Um território absoluto. Um lugar onde o controle dele se materializava em paredes, mesas, telas e silêncio.
Eu deveria ter voltado.
Deveria ter fingido que não ouvi nada.
Mas dei dois passos.
A porta se abriu mais um pouco, empurrada pelo meu movimento involuntário. O escritório se revelou em partes. A mesa enorme de madeira escura. As telas acesas. Um mapa da propriedade ocupando boa parte da parede. Pastas organizad