A manhã nasceu clara demais para a noite que eu tivera.
Quase não dormi. Quando dormi, sonhei com corredores de pedra e um nome que pulsava como um segundo coração. Levantei antes do despertador, tomei um banho rápido e vesti algo simples — vestido claro, sapatos baixos — como se a normalidade pudesse me proteger do que eu sabia que viria.
Encontramos-nos em um café discreto, perto de uma praça silenciosa. Alessandro já estava lá. Em pé. Imóvel. Como se tivesse chegado horas antes.
Quando nossos olhares se cruzaram, algo mudou no ar.
Sentei-me à sua frente sem cumprimentos longos. As mãos dele repousavam sobre a mesa, firmes, controladas. Eu reconheci aquela postura antes mesmo de entender por quê.
— Bom dia — ele disse.
— Bom dia… Tristan.
O nome escapou antes que eu pudesse pensar.
Não foi um teste. Foi certeza.
O mundo pareceu prender a respiração.
Os dedos dele se fecharam lentamente, as articulações ficando brancas. Por um instante, achei que ele fosse negar. Corrigir.