CAPÍTULO 22

POV YARA

O elevador parecia subir mais devagar naquela noite.

Cada andar anunciado soava como um lembrete cruel, um degrau a menos em algo que eu não compreendia direito, mas sentia com o corpo inteiro. Apoiei-me no corrimão, os dedos frios, a mente presa nas palavras da jovem no hall.

Trinta e quatro.

O número se repetia com uma insistência quase física. Não como ameaça — como constatação. Cheguei ao meu andar com o coração ainda acelerado demais e caminhei até o quarto em piloto automático. Ao fechar a porta, o silêncio me atingiu com força.

Larguei a bolsa sobre a poltrona e me aproximei da janela. Roma brilhava lá embaixo, indiferente. Antiga. Eterna. Pensei no absurdo de tudo: uma cartomante desconhecida, um aviso impossível, um homem que parecia me conhecer melhor do que eu mesma.

Passei a mão pelos cabelos, tentando respirar fundo.

— Isso não é real — murmurei. — Não pode ser.

Mas o corpo não acreditava.

Senti novamente aquela pressão leve no peito, como se algo estivesse send
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