Saímos do café sem chamar atenção.
Tristan pagou a conta, fez um gesto breve ao garçom e caminhou ao meu lado como se fôssemos apenas duas pessoas comuns numa manhã romana. Ainda assim, tudo em mim vibrava. O mundo parecia ligeiramente deslocado, como se eu tivesse mudado a frequência — ou ele.
— Para onde vamos? — perguntei, quebrando o silêncio.
— Para um lugar onde o passado não se ofende com perguntas — respondeu. — E o presente não escuta demais.
Caminhamos por ruas cada vez mais estreitas, até chegarmos a um portão antigo, discreto, coberto por heras. Tristan empurrou a madeira pesada e entramos num pátio interno escondido do fluxo da cidade. Havia uma fonte seca no centro, pedras gastas pelo tempo e um silêncio denso, respeitoso.
— Aqui era um santuário — disse ele. — Antes de Roma aprender a fingir que só os humanos a construíram.
O ar mudou quando cruzei o pátio. Não foi frio nem calor — foi atenção. Como se o espaço me reconhecesse.
— O que você vai fazer comigo? — pe