Meu ouvido ainda zune.
Um som fino, irritante, como se o mundo tivesse quebrado por dentro e ainda não tivesse se reorganizado.
Mas eu estou viva.
E isso… já é uma vitória.
Abro os olhos devagar.
O teto.
Rachado.
Uma fissura atravessa o gesso como uma cicatriz aberta. Pequenos pedaços ainda caem, levantando poeira no ar.
Fumaça.
Cheiro de pólvora.
Sangue.
O gosto metálico invade minha boca e eu faço uma careta leve. Não sei se é meu. Não me importo.
— Lis…
A voz dele.
Perto.
Forçada.
— Fica com