Lena Aris
O plano de ser uma sombra estava funcionando, mas as bordas do meu disfarce começavam a queimar. Eu me sentia em um verdadeiro ponto cego, equilibrada na linha tênue entre resistir à tentação daquele homem, que parecia decifrar cada terminação nervosa do meu corpo com uma precisão assustadora e a necessidade de estar em casa antes do anoitecer.
Maeve deveria estar à flor dos nervos. Eu não podia abusar mais da lealdade dela.
Recuei o percurso, os saltos estalando no concreto do estacionamento, até que um brilho metálico me atingiu os olhos. Minhas chaves estavam caídas bem na entrada do elevador. Um golpe de sorte, acreditei, agarrando-as como se fossem um amuleto. Entrei no carro e a adrenalina do encontro com o Tatuado ainda fazia minhas mãos tremerem no volante. Corri ao centro de Carleon, parei na única loja que vendia os bombons preferidos de Maeve e voei para casa.
Cheguei às pressas, o coração na boca. Quando desci do carro, vi Maeve no pórtico; o suspiro de alívio qu