Lena Aris
Eu saí daquela cobertura como quem foge de um incêndio, embora as chamas ainda estivessem lambendo a minha pele. Foi uma saída caótica; entre beijos roubados no corredor e a pressão do corpo dele contra o meu até a porta da cobertura.
Eu ria enquanto escapava de suas mãos tatuadas, mas, por dentro, o meu peito era uma confusão de sentimentos: a euforia de saber que a liberdade estava a uma assinatura de distância e o eco vibrante de ter estado com aquele homem.
Atravessei o saguão do prédio ignorando a movimentação estranha. Havia homens mais que o habitual por ali, ternos escuros, fones de ouvido, olhares que varriam o perímetro com uma eficiência letal. Talvez um exército de alguém muito importante entrava em posição. Entrei no meu carro e saí daquela área o mais rápido que os pneus permitiram. Eu precisava de ar. Precisava me livrar do cheiro dele antes que eu me esquecesse de quem eu realmente era.
Eu mal tinha percorrido alguns quilômetros quando o telefone tocou no pai