Enviou. Pousou o telemóvel. Pegou nele novamente cinco segundos depois. Nada. Tentou regressar ao trabalho, mas as palavras confundiam-se. A imagem de Darya impunha-se-lhe à mente com uma clareza perturbadora: a postura firme mesmo quando tudo à volta ruía; o silêncio calculado; a inteligência afiada que fingia não possuir. Ela estava a mudar. Ou talvez sempre tivesse sido assim e só agora começava a mostrar-se. Isso fascinava-o. E, pela primeira vez em muito tempo, também o assustava. Não porque estivesse fora de controlo. Mas porque começava a perceber que talvez nunca tivesse estado. Matteo passou a mão pelo maxilar, tenso.
Não suportava a ideia de a perder.
Não depois de a ter esperado tantos anos.
Não depois de tudo o que fizera e destruíra, para estar onde estava.
O telemóvel permaneceu imóvel.
Faltavam cinco minutos para a hora do almoço.
— Responda, Darya… — murmurou, quase sem se aperceber.
Naquele instante, compreendeu algo que jamais diria em voz alta:
O pod