A mansão dos Vellano estava demasiado silenciosa.
Não era o silêncio tranquilo das casas bem cuidadas, mas aquele que se instala quando algo está prestes a ruir. Um silêncio que pesa nos móveis, nas paredes, no ar. Helena estava sentada na sala de estar, com um copo de vinho tinto pousado na mão direita. Não bebera um único gole. O líquido escuro permanecia imóvel, tal como ela, enquanto o seu olhar fixo na porta de entrada denunciava uma espera inquieta, quase obsessiva.
Esperava más notícias. Apenas não sabia quão más.
Quando ouviu finalmente a chave a rodar na fechadura, o corpo reagiu antes da mente. Endireitou-se de imediato.
Bianca entrou.
O choque foi imediato. O rosto da filha estava pálido, os olhos inchados, a maquilhagem borrada. O cabelo, outrora impecável, pendia solto e desalinhado. Não havia ali a Bianca altiva, confiante, segura de si. Apenas uma jovem derrotada.
Helena levantou-se de um salto.
— Que figura é essa? — perguntou, seca. — O que aconteceu? Como correu nos