Darya ficou rígida no início, um reflexo involuntário de quem passou a vida inteira a encolher-se perante toques, expectativas, comparações e palavras que magoavam. O corpo dela parecia preparado para recuar, para se proteger, para não acreditar que aquele gesto fosse real.
Mas Ariella não recuou.
Não apressou.
Não pressionou.
Limitou-se a abraçá-la com a paciência de quem sabe que algumas feridas são demasiado antigas para se curarem com pressa. E, aos poucos, muito devagar, o corpo de Darya cedeu. Como gelo a derreter num copo quente. Como alguém que regressa a um lugar que nunca teve, mas sempre precisou.
— Aqui ninguém vai fazer-te sentir pequena — sussurrou Ariella, acariciando-lhe o cabelo com delicadeza maternal. — Nunca. Nem o teu passado, nem a tua mãe, nem invejas alheias. Aqui… és inteira.
Darya fechou os olhos, absorvendo aquela gentileza com a sede de quem passa dias no deserto sem saber que estava a morrer de fome emocional. Algo dentro dela tremia, não de medo, mas de e