Era estranho para si própria estar a defendê-la, depois de todos os insultos, mas a verdade era que compreendia a origem do rancor da irmã, ainda que jamais aceitasse a forma como ela o manifestava.
— E eu agradeço a tua intenção de quereres proteger-me, de verdade — continuou, esforçando-se por sorrir. — É um gesto bonito, mas… — o suspiro que soltou pareceu arrastar consigo o peso de algo mal digerido — não quero que arrisques a tua vida por minha causa. A tua família ficaria devastada se te acontecesse alguma coisa.
O silêncio que se seguiu foi tenso, quase eléctrico.
— Vou voltar para o quarto — acrescentou, com um aceno leve. — Ainda falta terminar de arrumar as roupas no closet.
Virou-se para sair, mas deu apenas dois passos antes de ouvir a voz dele, baixa, ferida e carregada de incredulidade.
— Como é que consegues dizer isso com tamanha naturalidade?
Darya parou, lentamente, como se as palavras tivessem sido um gancho invisível puxado pelas costas. Virou-se, confusa.
— De