— Não vou pedir-te isso — garantiu Darya, num tom quase quebrado, como se cada palavra lhe exigisse mais coragem do que gostaria de admitir.
A expressão de Matteo suavizou-se de imediato. A tensão rígida dos ombros dele pareceu descer apenas um milímetro, mas foi suficiente para que o ambiente entre ambos mudasse. Ficaram ali imóveis, frente a frente, numa espécie de trégua silenciosa e frágil que nenhum ousou interromper.
Darya inspirou fundo, tentando recuperar o controlo sobre si mesma. Passou a mão pelos cabelos, ajeitando-os para trás, um gesto automático que sempre fazia quando precisava de se reencontrar. Era o seu pequeno porto de abrigo.
— Vou mesmo voltar para o quarto — disse ela, oferecendo-lhe um sorriso pequeno, tímido, mas genuíno. — Se continuar aqui, já não vou saber o que digo.
Matteo deixou escapar um riso baixo, quase imperceptível, o tipo de riso que só alguém profundamente cansado e profundamente apaixonado, seria capaz de produzir. Ele afastou-se apenas o sufici