— Quero que escutes com muita atenção o que tenho para te dizer, Bianca. — A voz de Matteo soou grave, arrastada, firme como uma lâmina prestes a cortar o ar. — E quero que compreendas bem cada palavra, porque não tenciono repeti-las nem perder tempo com situações semelhantes outra vez.
Darya observava-o em silêncio, surpreendida com a rigidez do tom. Nunca o tinha visto falar assim, a calma habitual fora substituída por uma tensão fria, como se Matteo lutasse contra a própria raiva para não explodir.
Bianca, sentada no sofá com os braços cruzados, manteve um sorriso de escárnio, embora os seus olhos denunciassem a fúria e a humilhação que lhe queimavam o peito. Fingiu indiferença, mas o seu corpo estava rígido, e as mãos, cerradas nos joelhos, denunciavam o esforço de se conter.
— Entendo que seja frustrante para ti — começou Matteo, caminhando devagar pela sala, o olhar fixo nela —, o facto de teres crescido a acreditar num papel que te foi imposto, numa história que nunca exis