CAPÍTULO 5

O salão do jantar parecia outro lugar à noite.

As luzes mais baixas suavizavam os contornos, transformando rostos comuns em versões mais interessantes de si mesmos. O som de taças se chocando misturava-se a risadas controladas, e o cheiro de perfume caro se espalhava pelo ar como uma promessa silenciosa.

Tyler percebeu Jane antes mesmo de vê-la.

Era sempre assim.

Ela estava próxima à mesa central, conversando com um casal que ele não conhecia. O vestido azul escuro caía com precisão sobre o corpo dela, simples demais para ser ignorado, elegante demais para parecer casual. Os cabelos estavam soltos, tocando-lhe os ombros de um jeito que o fez desviar o olhar por um segundo — um gesto involuntário, quase defensivo.

Quando Jane o viu, não sorriu de imediato. Apenas sustentou o olhar por um instante longo, íntimo demais para ser acidental. Depois, inclinou a cabeça em um cumprimento discreto.

Tyler sentiu o corpo reagir antes da mente.

A mesa do grupo estava cheia. Chloe falava animadamente sobre negócios, Mark gesticulava enquanto explicava alguma coisa sobre ações e expansão. Tyler ouvia, respondia quando necessário, mas sua atenção estava fragmentada.

Jane sentou-se algumas cadeiras à frente, sozinha agora.

— Você está distraído — murmurou Chloe, inclinando-se em sua direção.

— Só cansado — respondeu ele.

Ela pousou a mão sobre a dele por um segundo além do necessário. Tyler percebeu — e retirou a mão com cuidado.

— Vou pegar um drink — disse, levantando-se.

No bar lateral, a música era mais baixa. Jane estava ali, observando o barman preparar uma bebida com precisão quase ritualística.

— Vinho branco — disse ela, sem olhar para Tyler.

Ele se aproximou. — Ainda gosta das coisas simples.

Jane sorriu de lado. — As simples costumam ser mais honestas.

O barman se afastou, deixando-os sozinhos. A proximidade fez Tyler perceber detalhes que antes lhe escapavam: o leve brilho na pele dela, o ritmo tranquilo da respiração, o modo como segurava a taça — firme, mas relaxado.

— Você parece diferente hoje — disse ele.

— Diferente de quê?

— Da mulher da piscina. — Ele hesitou. — Mais… presente.

Jane girou o vinho lentamente. — Às vezes a gente escolhe quando se deixa ver.

Tyler sentiu a frase tocar algo profundo demais para ignorar.

— E hoje você escolheu?

Ela levantou os olhos para ele. — Talvez.

O silêncio que se instalou entre eles não era vazio. Era carregado. Tyler percebeu o quanto estava consciente do próprio corpo: do calor, da tensão nos ombros, do impulso contido de se aproximar mais do que devia.

— Você dança? — perguntou Jane, de repente.

— Mal — respondeu ele.

— Ótimo. — Ela estendeu a mão. — Os piores são os mais interessantes.

Tyler riu baixo antes de aceitar.

A pista era pequena, iluminada por luzes suaves. Não havia muitos casais — o jantar ainda não havia terminado para a maioria. Jane colocou uma mão leve sobre o ombro dele. Tyler apoiou a outra na cintura dela, sentindo o tecido fino do vestido sob os dedos.

Ela não se afastou.

O corpo de Jane se movia com naturalidade, sem esforço, sem pressa. Tyler acompanhou, atento demais a cada pequeno ajuste, a cada respiração compartilhada. A música era lenta, quase indecisa, como se também estivesse testando limites.

— Você fica tenso quando chega perto demais — murmurou ela, perto o suficiente para que ele sentisse o perfume novamente.

— Tenho tentado evitar erros — respondeu ele, baixo.

Jane inclinou o rosto levemente. — Nem tudo que parece erro é.

A mão dela deslizou do ombro até o peito dele, parando ali. Não foi um gesto provocativo — foi íntimo. Tyler sentiu o impacto percorrer o corpo inteiro.

Por um segundo, pensou em se afastar.

Não o fez.

— Jane… — começou.

— Eu sei — disse ela, interrompendo-o com suavidade. — Não precisamos ir além de onde dá.

A testa dela encostou de leve na dele. As respirações se misturaram. Tyler sentiu a vontade clara, direta, quase dolorosa de beijá-la — e, ao mesmo tempo, o medo de cruzar um limite irreversível.

Foi ela quem se afastou primeiro.

— Acho melhor voltarmos — disse, com a voz firme, embora os olhos denunciassem algo menos controlado.

Tyler assentiu, tentando recuperar o próprio eixo.

No caminho de volta às mesas, caminharam lado a lado, sem se tocar. A distância parecia maior do que antes, e ainda assim, mais carregada.

— Boa noite, Tyler — disse Jane, parando no corredor das cabines.

— Boa noite.

Ela entrou na cabine ao lado. A porta se fechou com um clique suave.

Tyler entrou na sua e apoiou as mãos na parede, respirando fundo.

Não tinha sido um beijo.

Não tinha sido um toque indevido.

Não tinha sido nada — e, ainda assim, tinha sido demais.

Ele percebeu, com clareza desconfortável, que não era mais apenas curiosidade.

Era desejo.

E desejo, ele sabia, nunca vinha sozinho.

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