Mundo de ficçãoIniciar sessãoTyler não lembrava a última vez em que o próprio corpo havia se tornado um problema.
Deitado na cama, encarava o teto da cabine enquanto o navio avançava em silêncio. O balanço suave, quase hipnótico, contrastava com a inquietação que tomava conta dele. Fechava os olhos e via Jane — não nua, não explícita, mas próxima demais. O peso do corpo dela na pista de dança. A mão em seu peito. A respiração que se confundira com a dele. Era o suficiente para acender algo que ele acreditava adormecido. Levantou-se, abriu a porta da cabine outra vez. O corredor estava vazio, como se o navio inteiro tivesse decidido dormir ao mesmo tempo. A porta ao lado permanecia fechada. Por um instante, ele hesitou. Então bateu. Não foi uma batida firme. Nem indecisa. Foi… honesta. Alguns segundos se passaram. Tyler quase recuou quando a porta se abriu. Jane estava descalça. Usava apenas uma camisola clara, simples, que caía solta sobre o corpo. Os cabelos estavam soltos, os olhos atentos — não surpresos. — Achei que você não viria — disse ela, em voz baixa. — Eu também — respondeu ele. Jane abriu mais a porta. Tyler entrou. A cabine dela era parecida com a sua, mas diferente no detalhe: uma luz mais baixa, a cortina entreaberta, o cheiro leve do mesmo perfume que ele reconheceria em qualquer lugar. Ela fechou a porta atrás dele com cuidado. O silêncio se estendeu entre os dois, pesado. — Se você ficar — disse Jane, com calma — não vai ser só por curiosidade. Tyler deu um passo à frente. — Eu sei. Ela não se moveu quando ele se aproximou. Apenas levantou o rosto, permitindo que o espaço entre eles diminuísse até restar quase nada. O corpo de Tyler reagiu de forma imediata, sem pedir licença. Ele sentiu a tensão percorrer-lhe o abdômen, os ombros, a respiração. Jane tocou o braço dele primeiro. Um gesto lento, exploratório, como se estivesse confirmando algo que já sabia. Os dedos subiram, contornaram o ombro, pararam na base do pescoço. — Você está tremendo — murmurou. — Não estou acostumado a… — Ele parou. — A ser desejado? — completou ela, sem ironia. Jane se aproximou mais. O corpo dela encostou no dele, quente, real. Tyler fechou os olhos por um segundo quando sentiu o toque inteiro, sem barreiras. As mãos dele foram até a cintura dela, não apertaram, não puxaram — apenas repousaram ali, como se precisassem se certificar de que aquilo estava mesmo acontecendo. O beijo veio sem pressa. Não foi urgente. Não foi descontrolado. Foi profundo. Jane beijava como quem escolhe ficar. A boca dela se moldou à dele com uma intimidade que o fez perder o fôlego. Tyler respondeu, sentindo o corpo reagir de vez, sem culpa suficiente para detê-lo. As mãos dela deslizaram para o peito dele, abrindo lentamente os botões da camisa, um a um. Cada gesto era deliberado. Cada segundo, consciente. — Jane… — Ele disse o nome dela como um aviso. — Eu sei — respondeu ela novamente. Sempre sabia. Quando a pele dele ficou exposta, Jane pousou a testa no peito dele por um instante, respirando fundo, como se aquele contato tivesse peso. Depois levantou o rosto e o beijou de novo, agora com menos contenção. Tyler a guiou até a cama sem interromper o beijo. Sentiu quando ela se sentou na beira, quando as mãos dela deslizaram pelas costas dele, puxando-o para mais perto. O corpo dela reagia sob o toque dele, e isso o incendiava de um jeito que não lembrava. Ele a deitou com cuidado, como se a delicadeza fosse uma escolha consciente — não uma falta de desejo. A camisola subiu um pouco quando ele se inclinou sobre ela, revelando pernas quentes, firmes. Jane não tentou cobrir-se. — Tyler — disse ela, baixinho, tocando o rosto dele. — Olha pra mim. Ele olhou. E naquele instante, não havia passado, nem luto, nem culpa suficiente para afastá-lo. Havia apenas dois corpos escolhendo esquecer o resto do mundo por algumas horas. Quando a luz foi apagada, o navio seguiu seu curso, indiferente. Na cabine ao lado da dele, Tyler deixou de ser apenas um homem em fuga. E Jane… apenas permaneceu. Na manhã seguinte, o mar continuaria calmo. E nada pareceria fora do lugar — ainda.






